segunda-feira, 28 de julho de 2014

Exposição Defeso Cultural

A Exposição Defeso Cultural apresenta documentos, fotografias, obras e o Prêmio que o Movimento recebeu da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro em 2014. Algumas peças estavam presentes nas Exposições da ação Caravana Paraty ocorridas no CCBB-RJ e no CCSP. Curadoria de Lúcio Cruz e Patrícia Gibrail.




Serviço
Exposição Defeso Cultural
Quando: De 31/07 a 30/08/2014. Segunda a Sexta, 9h-12h/13h-18h
(Durante a Flip de 10h às 22h)
Onde: Silo Cultural (R. Dr. Samuel Costa, 12, Centro Histórico, Paraty)
Quanto: Entrada franca




DEFESO CULTURAL

Movimento idealizado pelo músico e compositor paratiense Luís Perequê, comparando o processo cultural com o processo de reprodução de algumas espécies marinhas, atualmente protegido por lei.

Quando o camarão desova, cria uma gosma fibrosa, que parece um capim muito fino. Esses ovos são extremamente frágeis e indefesos. Qualquer interferência se torna predatória. Para impedir a extinção dessas espécies foi criado o período do Defeso no qual fica proibida qualquer atividade pesqueira nas áreas de reprodução compensando com um salário os pescadores artesanais.

O Defeso Cultural entende que as cidades turísticas devem criar políticas que protejam os períodos onde a comunidade local esteja vivenciando suas tradições culturais e religiosas.

Essa necessidade surgiu após a implantação pelo Ministério do Turismo, de uma série de medidas para tornar Paraty cidade modelo de turismo cultural.
Nesse processo o Instituto Silo Cultural foi participante.
Mas o que se fortaleceu mesmo foi a cadeia produtiva do turismo.
O processo cultural foi abordado como atrativo turístico em potencial.

Apesar das tentativas de aprofundar a questão cultural, confundiu-se cultura e entretenimento. Uma festa tradicional não parecia um atrativo suficiente, então a solução seria introduzir shows durante a festa, com dinheiro público, para potencializar o turismo. A implantação aconteceu. As cidades turísticas têm Paraty como modelo. Não há baixa temporada, temos eventos turísticos o ano inteiro.

No entanto, se levantarmos um pouco essa capa e olharmos com mais cuidado o que aconteceu com o processo cultural, podemos perceber que houve um empobrecimento das manifestações culturais locais.

A festa do Divino foi registrada pelo IPHAN , mas luta para acontecer em meio a uma programação barulhenta alheia às novenas e preceitos da festa. Nesse caminho estão todas as festas religiosas, todas ficaram menores que a programação de entretenimento.

Não descaracterizar as festas religiosas seria uma das primeiras providências a serem tomadas. Se as festas tradicionais têm potencial turístico que sejam bem vindos os que queiram vivenciá-la, mas que não seja transformada em entretenimento.

Devemos fazer uma primeira conceituação: diferenciar manifestações e produtos culturais. Um produto cultural pode surgir de uma manifestação, mas nem toda manifestação é produto. Produto entendido como comercializável, podendo ser vendido no que se chama mercado da cultura. Uma manifestação não segue as leis de mercado, ela tem seu próprio tempo, espaço e condições para acontecer.

No Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares em 2005 na carta de princípios, parâmetros e recomendações foram colocados os seguintes itens: 
Considerar que, para a sustentabilidade das culturas populares, a reprodução nos locais de origem é mais importante que a difusão no mercado. 
Constituir mecanismos de proteção contra influências/interferências culturais hegemônicas. 
Afirmar o duplo direito do artista: ganhar dinheiro pela arte que faz e fazer arte sem comercialização obrigatória. 

No afã de incrementar o turismo a comunidade se retorce e deforma sua identidade ao ponto de não mais se reconhecer, e não se reconhecendo não possui valores que agregam que se tornam valores comuns, que a fazem uma comunidade. Sem uma convivência não se percebe em grupo suas transformações. Essa narrativa é o que cria o sentido do comunitário, cria novas formas de vivenciar sua história, sua identidade. Em se tratando de Cultura Caiçara essa vivência tem raízes muito profundas na própria forma como tradicionalmente se compartilhava os meios de produção e subsistência.

O Defeso Cultural não é contrário ao turismo assim como o defeso do camarão não é contra o seu consumo como alimento. O Defeso propõe uma preservação das condições de reprodução de uma cultura fazendo uma séria avaliação de suas características produtivas para reverter ou evitar processos de degradação cultural.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Oficina de Coral

OFICINA DE CORAL na Biblioteca Comunitária Cora Coralina.

Todos sábados de 15h às 17h. As inscrições são realizadas no local, podem se inscrever crianças de 10 a 18 anos. As vagas são limitadas.

Fotos: André Azevedo.